Mostra de cinema Aly Muritiba e Mano Cappu sobre o sistema carcerário será exibida gratuitamente no MIS-PR 17/03/2026 - 12:25
O Museu da Imagem e do Som do Paraná (MIS-PR) promove, nos dias 25 e 27 de março, a mostra Aly Muritiba e Mano Cappu. Com entrada gratuita, a mostra que leva o nome dos diretores dos filmes faz parte da programação do Projeto Cárcere e leva diversos debates a partir do tema de encarceramento e o sistema prisional brasileiro. Após a exibição dos filmes haverá uma roda de conversa com os diretores. Com classificação acima de 18 anos, a entrada será por ordem de chegada, com vagas limitadas.
A mostra exibirá cinco filmes gratuitos dos diretores Aly Muritiba e Mano Cappu, feitos a partir de pesquisas e vivências com o sistema carcerário no Brasil. A curadoria feita por Rafael Soarez traz curtas e longas que proporcionam ao público reflexões sobre as consequências do cárcere para as diversas pessoas ligadas a ele direta ou indiretamente. Ao mostrar o ponto de vista da família e dos trabalhadores do sistema, a discussão sobre aprisionamento será plural.
Para além das vivências atrás das grades, os diretores também colocam em pauta a reintegração. De acordo com Mano Cappu, criador de “Bença” e “Quando eu for grande”, “se as pessoas sonham, de fato, com a reintegração social, precisam entender que a família não tem culpa”, afirma o artista. “As mazelas que o Cárcere leva para o apenado já são violentas demais contra os seus corpos, e ter uma extensão dessa pena para a família, eu vejo que ela é muito desumana. Por isso, a pessoa que cometeu, ou não, um erro, e está encarcerada, deve ter uma conexão com a família. A reintegração na sociedade começa dessa relação familiar”, completa Mano Cappu.
Projeto Cárcere - O projeto surge para aprofundar o diálogo sobre a realidade do sistema carcerário. A proposta é transformar o antigo Centro de Triagem da Polícia Civil em um campo de análise crítica, fomentando movimentos culturais que ajudem a compreender a complexidade do sistema e a refletir sobre o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e humanitária.
Com mais de 10 mil visitantes no Projeto Cárcere em 2025, foram promovidas ações envolvendo teatro, palestras, visitas guiadas, mostra de cinema, rodas de conversa e leitura que reuniram profissionais de todo o Brasil para compartilharmos seus projetos voltados ao tema.
O projeto é uma realização da Associação dos Amigos do Museu da Imagem e do Som (AAMIS) em parceria com o MIS-PR, a Secretaria de Estado da Cultura do Paraná e o Ministério da Cultura. As ações acontecem com o patrocínio da Lei Rouanet, o Instituto Humanitas 360 e, recentemente, a Copel.
Mirele Camargo, diretora do MIS-PR, reforça que é gratificante ver o projeto crescer e ganhar novos aliados. “Juntos, o MIS-PR e a AAMIS, com o suporte de todos os nossos patrocinadores, seguimos promovendo ações gratuitas que utilizam a arte como ferramenta de transformação social.”, afirma ela.
Sobre os diretores - Aly Muritiba é um cineasta, roteirista e produtor brasileiro nascido em Mairi (BA), conhecido por obras como “Deserto Particular”, “Ferrugem” e “Para Minha Amada Morta”. Ex-agente penitenciário, criou a Trilogia do Cárcere e já venceu mais de 200 prêmios em festivais como Sundance, Veneza e San Sebastian. Dirigiu séries para HBO, Netflix, Globoplay, Amazon Prime e Max, e teve o curta “A Fábrica” na shortlist do Oscar
Mano Cappu é cineasta, rapper e sócio-fundador da CWBlack, cria do bairro CIC, em Curitiba. Reconhecido como talento da Rede Projeto Paradiso, ganhou destaque internacional ao receber o prêmio Prix Courtoujours com o curta "Bença" no 36.° Festival Cinelatino de Toulouse, França. O filme acumula 67 seleções, 19 prêmios e duas menções honrosas. Em 2011, Cappu foi preso injustamente por 18 meses. Hoje absolvido, transformou essa experiência no projeto artístico "Sou|brevivente do Cárcere", que inclui o album "UFA", criado para marcar uma década de liberdade; os curtas "Bença" e "Quando Eu For Grande?"; e o longa "Barrabas", em desenvolvimento.
Confira a programação completa
Dia 25 de março | 18h30
♦ Pátio (2013) | 17 min
Documentário
Sinopse | No Pátio joga-se bola, capoeira e fala-se de liberdade.
Direção: Aly Muritiba
♦ A Fábrica (2013) | 17 min
Ficção
Sinopse | Um presidiário convence sua mãe a arriscar a própria segurança para levar um aparelho celular para ele dentro da penitenciária.
Direção: Aly Muritiba
♦ Bença (2023) | 15 min
Ficção
Sinopse | É um curta dirigido por Mano Cappu inspirado em sua experiência injusta no sistema prisional brasileiro. Na ficção, Antônio aguarda ansioso para ver a esposa Vera, mas se desestabiliza ao perceber que, entre os detentos que saem da cela, está seu filho Rodrigo.
Direção: Mano Cappu
♦ Quando Eu For Grande? (2025) | 15 min
Ficção
Sinopse | Após visitar o pai e o irmão na prisão, Gabriel volta para casa com a mãe, Vera, carregando dúvidas sobre o futuro. No caminho, ele pergunta se, quando crescer, também terá o mesmo destino dos homens da família: o encarceramento.
Direção: Mano Cappu
Dia 27 de março | 18h30
♦ A Gente (2013) | 89 min
Documentário
Sinopse | Por sete anos, Aly Muritiba trabalhou em uma prisão. Lá ele fez parte da Equipe Alfa. Após estudar cinema e dirigir alguns curtas-metragens, Muritiba volta ao seu antigo trabalho para reencontrar seus colegas e realizar um filme. A Equipe Alfa é formada por 28 pessoas, homens e mulheres de origens e formações distintas que fazem a guarda e custódia de cerca de mil criminosos numa penitência brasileira. Walkiu torna-se o chefe da equipe e espera fazer um bom trabalho. Mas percebe que suas mãos estão algemadas.
Direção: Aly Muritiba
















